Eu sem você não vivo (menino - 15 anos)

29 de outubro de 2001

"e o pensamento lá em você/eu sem você não vivo"
(...)
"não te esquecerei um dia/nem um dia"

Paulo, 1997. Carlos Romasc é um consagrado executivo que trabalha na multinacional Sirasofttm empresa de software. Mesmo tendo trabalhado como executivo apenas dez de seus trinta e cinco anos, Carlos possui uma fortuna estimada em treze milhões e meio de US$ dólares. Carlito, como é conhecido na vida social, é um homem de riso fácil e muito gentil. Ele casou-se há oito meses com a recém-formada em arquitetura Cláudia, de vinte e oito anos. Carlito vive dizendo que é o homem mais feliz da Terra, que sua família é a essência de sua vida e, que a pequena Alice, sua filha que vai nascer em um mês é o melhor presente que Deus pôde lhe oferecer. Enfim, ele e Cláudia estão rindo à toa.
     Carlito combinou de almoçar no dia seguinte com sua mulher num restaurante perto da Sirasofttm já que teria um intervalo de uma hora entre uma reunião e outra. De manhã, Carlito marcou com Clâudia de se encontrarem no térreo da empresa às duas horas, para que fossem então almoçar. Ela concordou, dizendo que compraria umas roupas para o bebê numa loja ali perto.
     Às duas e quatro, os dois se encontraram em frente ao prédio, cada um de um lado da rua. Apesar da distância, já estavam conversando. Então, Cláudia correu para o outro lado da rua para dar um abraço em seu marido e dizer como estava feliz. Quando já estava mais ou menos na metade da rua, viu seu marido gesticulando intensamente alguma coisa que não entendeu, até sentir uma forte pancada, seguida de um branco repentino. Ela havia sido atropelada por um enorme caminhão que transportava toras de madeira na carreta. Carlos simplesmente empalideceu e entrou em estado de convulsão. Trinta segundos depois, uma ambulância já a levava para a UTI do melhor hospital do país, a duas quadras de distância. Apesar do exaustivo esforço da equipe médica, era tarde demais: Cláudia e a pequena Alice haviam morrido.
     A partir desse dia, o alegre Carlito deu lugar a um homem calado, que mal comia e dormia, ficando a maior parte de seu tempo lendo ou pensando como seria sua vida hoje se nada tivesse acontecido. Por ser relativamente famoso, surgiram comentários na imprensa, pessoas que diziam que Carlito, antes mesmo do acidente, já dava sinais de depressão etc. Um conhecido repórter chegou até a escrever um comentário para a Folha de S.Paulo, onde escreveu, "aquele feliz empresário esconde por trás do riso fácil um homem amargo e egocentrado".
     Um mês depois, Romasc não falava mais com ninguém. Mais duas semanas e ele foi internado numa clínica psiquiátrica com ligeiros sintomas de depressão: a bateria de exames relatou depressão profunda. Inacreditavelmente, tornou-se um homem com raiva de tudo e de todos. Não tornava os remédios indicados e burlava o sistema de alimentação da clínica. Fora flagrado duas vezes tentando pular o muro da clínica. No dia vinte e quatro de março daquele ano, conseguiu fugir da clínica psiquiátrica e voltou para sua luxuosa mansão. Dinheiro não é sinônimo de felicidade.
     Três dias depois, foi encontrado em seu sofá rodeado de pílulas. Carlos Romasc suicidara-se.

 

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